domingo, 31 de março de 2024

 



          Começando pelo início. Numa das inúmeras visitas ao centro da cidade de Fortaleza, chegamos à arborizada Praça dos Mártires ou também como é conhecida como Passeio Público. Historicamente, a primeira praça de Fortaleza, cuja construção data-se de 1864, mas narrativas que por lá passaram surgiram um pouco antes, no início do século XIX.
          Pela poesia do compositor da terra Ednardo (1945), a música “Passeio Público” de 1976 traça liricamente os dramas históricos vivenciados pela então praça, antigamente situada como “Campo de Pólvora” da Fortaleza Nossa Senhora de Assunção. Assim ele inicia seus versos de forma melodiosa:

                                        “Hoje ao passar pelos lados
                                  Das brancas paredes, paredes do forte
                                  Escuto ganidos, ganidos, ganidos, ganidos
                                  Ganidos de morte (...)”

           Ednardo clama por Bárbara, a personagem histórica Bárbara de Alencar (1760 - 1832) que lutou contra o colonialismo português. Estórias mais profundas afirmam a sua prisão e tortura até a morte na Fortaleza que margeia o atual Passeio Público. Ainda na luta pela independência do Ceará, nascia a semente em Quixeramobim com Tristão Gonçalves, que eclodiu meses depois na Confederação do Equador (1824). Dos “fantasmas errantes de sonhos eternos”, cantados por Ednardo, um Baobá foi plantado em 1910 como símbolo de resistência e vida duradoura para os mártires fuzilados a olhos vistos em 1825. Carapinima, Padre Mororó, Azevedo Bolão, Padre Ibiapina, Pessoa Anta. Fortes, resistentes e por assim dizer, bárbaros. Esse é o retrato da primeira metade do século XIX na praça ainda campo, areal e ventos do Atlântico. A cidade de Fortaleza então fica afrancesada. A Bélle Epoque (1871 - 1914) com seus avanços tecnocientíficos toma conta da elite cearense que almejava os novos hábitos culturais exportados especialmente de Paris. Eram cafés, boulevards, teatros, ideologia filosófica-política e moda francesa.A Praça dos Mártires, antes palco de sangrentos eventos, se transformou no Passeio Público de Fortaleza, remodelado em 1880 pelo plano urbano de Adolfo Herbster. O antigo areal em declínio para o mar foi rearranjado em três planos escalonados que nasciam na antiga Rua da Misericórdia (atual Rua Dr. João Moreira) até a Praia de Maceió, onde funcionava o ancoradouro desde 1649.
         O Passeio Público pensado de forma escalonada validava a segregação espacial, propondo o primeiro plano reservado para a elite cearense com mobiliário urbano e iluminação pública adequados, a vista para o verde mar e passeios internos arborizados. O segundo plano do Passeio favorecia a classe média, com árvores, uma cascata artificial, um lago com estátua da deusa romana Diana no centro e o Cassino Cearense. O último plano, próximo ao mar, foi reservado para as classes populares. Este quadrilátero popular abrigava um mini zoológico com animais soltos, pavilhões para atividades comerciais e recreativas, assim como um lago artificial alimentado por uma das ramificações do Riacho Pajeú. Uma estátua de Netuno guardava aquelas águas doces, porém não controlava aquele universo. Logo na virada do século, novas configurações urbanas acontecem e o segundo e terceiro planos são modificados pela malha urbana, restando apenas o primeiro plano tal qual vemos atualmente.
         Entre bancos, árvores e muita história, o Passeio Público de Fortaleza permanece na memória afetiva da cidade. E, certamente, vivenciar o espaço outras costuras serão feitas. Dialogando mais uma vez com o poeta Ednardo, “se deixe ficar por instantes na sombra desse baobá” e procure entender os segredos. Eles, os segredos, falam sobre nós.





Texto de Tinally Batista

Fotografia de Cristovam Melo



sábado, 17 de fevereiro de 2024

 


FOTOGRAFIA CRISTOVAM MELO, PRAÇA JOSE DE ALENCAR.


Teatro José de Alencar - Com capacidade para 776 pessoas, está localizado na Praça José de Alencar. Construído entre 1908 e 1910, sintetizou ideais de civilização e progresso, do início do século XX, na capital cearense. A primeira reforma ocorreu em 1918, para instalação de energia elétrica e troca do piso de betume do jardim por ladrilhos hidráulicos. Em 1957, as cadeiras austríacas com assentos em palhinha foram substituídas por poltronas de estofamento plástico. Na década de 1970, passou por completa restauração e recebeu um jardim lateral, projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx.

A construção da Praça José de Alencar foi planejada pelo Presidente da Província do Ceará, José Felix de Azevedo, na segunda década do século XIX. O local se transformou em ponto de encontro para os jovens da cidade: com pista de patinação, espaço para as feiras de quermesse, e local de acontecimentos importantes, como as reuniões dos grupos abolicionistas. A Praça é formada de uma área ajardinada, decorada com estatuária de inspiração greco-romana e com o busto de Delmiro Gouveia, considerado o precursor da industrialização no Nordeste.


FOTOGRAFIA CRISTOVAM MELO, PRAÇA JOSE DE ALENCAR.

FOTOGRAFIA CRISTOVAM MELO, PRAÇA JOSE DE ALENCAR.

           

Descrição Arquitetônica

O conjunto original do Teatro José de Alencar é de autoria do engenheiro militar Bernardo José de Melo, e foi construído entre os anos 1908 - 1910, ocupando uma área construída de 3.800 m2.

O conjunto é formado por duas construções: a primeira trata-se de um "foyer" com dois pavimentos, construído em alvenaria e pedra. A construção possui um pórtico formado por quatro colunas, as quais sustentam um balcão com uma balaustrada.

O pórtico situa-se na entrada principal da construção, a qual apresenta três portas em arco pleno. Existe um conjunto de duas portas em arco pleno.
O frontão é decorado com pináculos, possuindo, ainda, a parte superior, estatuária nos cantos esquerdo e direito da fachada principal.

As janelas do pavimento superior são em formato retangular, possuindo ombreiras e arcos decorados e gradis em ferro. Nas duas laterais existem outros dois balcões com balaustradas decoradas com pináculos. Na fachada principal, piso inferior, há dois vãos cegos em arco pleno.

A construção localizada na parte posterior é formada pela sala de espetáculos propriamente, dita. Trata-se de uma construção que concilia a utilização da alvenaria (paredes laterais, posterior e teto), com a estrutura de ferro decorado, formando as frisas, camarotes e varandas externas, bem como a fachada principal.

A estrutura foi confeccionada em Glasgow, pela empresa Walter Macfarlane & Co. A fachada principal é em estilo "art noveau", sendo o frontão formado por um arco vedado em vidro. Ladeando este, existem dois outros menores no mesmo estilo. No frontão, a decoração é feita com os símbolos da música e do teatro. No térreo existe o acesso à plateia. Nos cantos direito e esquerdo existem escadas que dão acesso aos camarotes e às frisas.

No segundo pavimento, a fachada é formada por uma varanda com gradil em formas circulares. O terceiro pavimento possui gradil em forma retangular. Acima deste último andar há gradil em forma circular, vedado por vidro. A construção comunica-se com o "foyer", através de passarelas dispostas no terceiro andar. Na parte interna, temos a plateia disposta no andar térreo, e nos andares superiores temos as frisas e camarotes divididos por gradis em ferro decorado. As cadeiras da plateia são em "palhinha".

No palco, a boca de cena é encimada por um arco decorado por uma pintura que faz alusão ao teatro. O forro do teto é em madeira pintada com motivos ligados à musica. Toda a estrutura metálica é sustentada por colunas ao longo de toda a sua extensão. No lado direito da construção, existe um jardim projetado por Burle Marx. O teatro passou por reformas (1918, 1938, 1956 e 1974), sendo a mais importante feita em 1990/91, quando foi acrescentado ao conjunto: um prédio anexo, funcionando como centro técnico; ar refrigerado; remoção de duas colunas, aumentando o campo de visão da plateia; vedamento contra ruídos externos; e o acréscimo das antigas instalações da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Ceará, adicionando mais três palcos e transformando o teatro num centro cultural.

"Ver e sentir"

   Quando comecei a pesquisa no centro da cidade confesso que não sabia a dimensão dela, como de costume cheguei bem cedo no centro estacionei a moto na minha querida praça do Ferreira e caminhei até o destino, estava ansioso para começar, fui reparando os prédio me lembro de pensar o que ia aprender, seguir na Guilherme rocha e chegando na praça José de Alencar vi o Theatro, lindo imponente realmente a cereja da praça. Mesmo chegando cedo na praça já na praça não era cedo, o centro é como um grande organismo vivo, basta reparar ele também "desperta", ás vezes rápido quando é preciso ás vezes mais devagar, nunca lentamente, lembro de ver vários trabalhadores tomando café, outros conversando com seus colegas muitos conversando com os vendedores ambulantes, comida não era problema, vendedores de lanche estacionam seus carrinhos de lanche e ali de tapioca á cachorro quente são vendidos, e era naquele momento que o centro ia despertando.  

Referências



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

 Fotografia, Cristovam Melo, Igreja da Nossa Senhora Rosário, praça dos leões centro de Fortaleza.


      Nesse trabalho maravilhoso de observação do patrimônio de Fortaleza, sinto-me dentro de uma máquina do tempo a cada passo que dou no centro da cidade ou melhor dizendo na nossa "rua", pois cada construção tem sua historia e marca no tempo, e quando conseguimos acessar esse conhecimento, temos uma sensação maravilhosa, se sentimos mais forte e enraizados com a nossa Fortaleza.
    O patrimônio essa antiga e bela palavra, é uma palavra ligada às estruturas familiares, econômicas e jurídicas de uma sociedade estável, enraizada no espaço e no tempo.
   Olhar para trás e conseguir enxergar o que foi aquilo e qual seu significado para a sociedade é enxergar a herança de um povo e sua cultura, se deixe ver, e tenho certeza que vai se encantar.






















  Cidade no olhar de um aluno Quando começamos o projeto de extensão, não sabia como os estudos sobre a cidade iriam me afetar. Conhecer a...