sábado, 20 de abril de 2024

Raimundo Ramos Filho - Ramos Cotoco

Poeta. Compositor. Cantor. Pintor. Recebeu o apelido de Cotoco por ter nascido com um defeito físico no braço. Excêntrico, tornou-se um boêmio extremamente popular na cidade de Fortaleza.

Em 1906, publicou o livro “Cantares boêmios”, com poemas e canções. Compôs lundus, chulas, valsas e cançonetas chistosas, muitas das quais gravadas pela Casa Édson, no início do século XX. Teve vários poemas musicados por autores cujos nomes permanecem desconhecidos até o presente momento.




Para conhecer um pouco mais sobre a vida e obras desse maravilho boemio de Fortaleza

dicas a baixo;

https://issuu.com/secultfor/docs/m__sica_de_fortaleza_-_gilmar_de_ca


 

Nascestes nas correntes de água
da Barra do Ceará e do Riacho Pajeú
sob os muros do forte de São Tiago, herança dos Portugueses
dos teus fortes veio o teu nome, Fortaleza!
Sol e mar banham o teu litoral
És bela e formosa!
Tens nas curvas de Iracema
A presença de tuas aldeias
Povos originários
Embriões indígenas
De teu ventre nascente.
És Fortaleza!
És o luxo de tuas aldeias!
Salve!

Por Fátima Teles



FONTE; https://vermelho.org.br/2015/04/13/um-poema-para-fortaleza/

Praça do Ferreira


     

O valor da memória e a Praça do Ferreira

 

A arquitetura é o único meio de que dispomos para conservar vivo um laço com um passado ao qual devemos nossa identidade, e que é parte de nosso ser. A arquitetura tem um grande poder para ultrapassar o tempo do homem, nela podemos projetar o que acreditamos e como uma sociedade vive, quando sabemos isso, debater sobre Patrimônio sempre será de grande importância para a arquitetura e a sociedade. A cidade sempre vai nos propor a refletir sobre passado e pensar naquelas pessoas que viviam nesse lugar antes de nós o patrimônio é pensar nas pessoas pois são elas que se apropriam e fazem o lugar e sem elas não existe o valor na memória.

 


“O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela. ”

Fernando Pessoa.

Flanar em Fortaleza é maravilhoso, ver e analisar suas praças pensar como foram projetadas, por isso nosso estudo de extensão na faculdade Faece no curso de Arquitetura e Urbanismo é sobre as praças de fortaleza e sua importância história, e por mais que paqueremos os prédios e construções do nosso passado a pesquisa tem peso nas praças e seu entorno.

São nessas praças que pessoas vivem inteiramente cada lugar é também na praça que desaceleramos o ritmo do Centro, para aqueles que precisam de tempo para pensar, comer ou até mesmo visitar um lugar em seu entorno, como a praça do Ferreira e seu São Luís onde acontecem seus espetáculos populares. Em cada praça do Centro temos suas histórias, e a vivencia do povo que faz com que essas praças sejam únicas.

Praça do Ferreira

A praça era um largo. “Em dezembro de 1842 uma lei da Assembleia Provincial autoriza uma reforma do plano da cidade, eliminando dela a rua do cotovelo a fim de ficar ali uma praça que se dominará Praça Pedro II”. Boticário Ferreira foi eleito Presidente da Câmera no ano seguinte, posto que ocupou até falecer em 1959.

A praça tomou os nomes de:

- Feira Nova: Lugar onde se realizavam as feiras semanais, deslocando o Centro da cidade da praça da Sé, para o novo logradouro.

- Largo das Trincheiras: não se sabe bem se foi por uma batalha entre Holandeses e Portugueses, ou por causa do nome de um Senador que vivia ali e se apelidava de “Trincheiras”.

- Pedro II: Em 1859, em homenagem ao Imperador.

- Do Ferreira: Em 1871, após a morte do Boticário Ferreira, como memória aos relevantes serviços que prestou a cidade.

- Municipal: Este nome durou somente seis meses, retomando ao seu nome anterior. Além dessas denominações oficiais também era popularmente conhecida por “Da Municipalidade”, por estar defronte do prédio da Independência Municipal.

A praça sofreu uma série de reformas ao longo do tempo. As mais significativas foram a construção do jardim 7 de setembro em 1902, época em que existiam na praça cinco quiosques denominados: escritório dos Bondes, Café do Comércio, Café Iracema, Café elegante e Café Java, sendo este o último o mais antigo (1886) e que se constituía o principal ponto da reunião dos intelectuais da Padaria Espiritual.

Em 1914 se reforma a praça e se realiza a iluminação com cabos subterrâneos.

Em 1920 são demolidos os quiosques e é construído o célebre coreto, considerado na época o coração cívico da cidade.

Em 1932, se demole o coreto e se constrói no seu lugar a “Coluna da Hora” com seu relógio que servia de orientação a toda a cidade, sua inauguração foi a princípios de 1934.

Em 1949, no local onde fora o velho prédio da intendência Municipal e construiu o “Abrigo Central”. Situava-se ao norte da praça e nele existiam boxes de vendas de discos, selos, livrarias, bilhetes lotéricos, tabacarias, cafés, etc. Servia também de ponto inicial das linhas de ônibus, transformando-o em um lugar dos mais movimentados da cidade. Foi demolido em 1968 e também a coluna da hora. Na última reforma em 1991 recuperou a praça e a coluna da hora em versão de uma arquitetura moderna, a coluna da hora que também apelidada pelo cronista Caiu Sítio de calúnia da hora já que nem sempre dava a hora exata.

 

 

“Memória é algo muito forte e encrava em nossos corações como uma cicatriz, as vezes doída e outras vezes somente para lembrar que existe”.

Melo.

 

Lembro do tempo que criei essa memória afetiva da praça do Ferreira, quando criança eu, minha mãe e meu irmão vivíamos indo nessa praça, muitas vezes esperando meu pai sair do trabalho e outras vezes quando íamos na “rua” como diz minha mãe, comprar roupas ou as vezes brinquedos, gibis ou livros, lembro-me que era um tempo muito feliz. Todos os natais íamos na praça ver as crianças cantarem, e no alto do edifício Excelsior víamos o papai Noel, surgindo em uma janela ou outra de uma criança que ali cantava, como essa praça para mim é importante, toda sua arquitetura de gabarito e seus prédios antigos trazem em mim uma sensação única como se eu fosse abraçado pelo passado. Algumas vezes eu e meu amado irmão caçula íamos muitas vezes tomar café da manhã na padaria Duda´s que ficava onde hoje é padaria Romana, viver o local me traz lembranças maravilhosa de um passado que está fixado nas construções antigas dessa praça, mas não só a minha como a de muitas pessoas acredito eu. Como futuro arquiteto acredito que a preservação de um passado não está só em um passado muito antigo, mais também nas memórias recentes que criamos e vivemos nesses espaços.

 

 

Referencias:

Livro: Fortaleza Centro: Guia Arquitetônico./ José Capelo Filho e Lidia Samiento Garcia – Fortaleza. 2006.

Livro: Silva Filho, Antônio Luiz Macêdo e. Fortaleza: imagens da Cidade. 2. Ed. Fortaleza Museu do Ceará/ Secretaria da Cultura do estado do Ceará, 2004.

 

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