O valor da memória e a Praça do Ferreira
A arquitetura é o único meio de que dispomos para conservar vivo
um laço com um passado ao qual devemos nossa identidade, e que é parte de nosso
ser. A arquitetura tem um grande poder para ultrapassar o tempo do homem, nela
podemos projetar o que acreditamos e como uma sociedade vive, quando sabemos isso,
debater sobre Patrimônio sempre será de grande importância para a arquitetura e
a sociedade. A cidade sempre vai nos
propor a refletir sobre passado e pensar naquelas pessoas que viviam nesse
lugar antes de nós o patrimônio é pensar nas pessoas pois são elas que se
apropriam e fazem o lugar e sem elas não existe o valor na memória.
“O próprio viver é
morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso,
um dia a menos nela. ”
Fernando Pessoa.
Flanar em Fortaleza é
maravilhoso, ver e analisar suas praças pensar como foram projetadas, por isso
nosso estudo de extensão na faculdade Faece no curso de Arquitetura e Urbanismo
é sobre as praças de fortaleza e sua importância história, e por mais que
paqueremos os prédios e construções do nosso passado a pesquisa tem peso nas
praças e seu entorno.
São nessas praças que
pessoas vivem inteiramente cada lugar é também na praça que desaceleramos o
ritmo do Centro, para aqueles que precisam de tempo para pensar, comer ou até
mesmo visitar um lugar em seu entorno, como a praça do Ferreira e seu São Luís
onde acontecem seus espetáculos populares. Em cada praça do Centro temos suas histórias,
e a vivencia do povo que faz com que essas praças sejam únicas.
Praça do Ferreira
A praça era um largo. “Em
dezembro de 1842 uma lei da Assembleia Provincial autoriza uma reforma do plano
da cidade, eliminando dela a rua do cotovelo a fim de ficar ali uma praça que
se dominará Praça Pedro II”. Boticário Ferreira foi eleito Presidente da Câmera
no ano seguinte, posto que ocupou até falecer em 1959.
A praça tomou os nomes de:
- Feira Nova: Lugar
onde se realizavam as feiras semanais, deslocando o Centro da cidade da praça
da Sé, para o novo logradouro.
- Largo das
Trincheiras: não se sabe bem se foi por uma batalha entre Holandeses e
Portugueses, ou por causa do nome de um Senador que vivia ali e se apelidava de
“Trincheiras”.
- Pedro II: Em 1859, em
homenagem ao Imperador.
- Do Ferreira: Em 1871,
após a morte do Boticário Ferreira, como memória aos relevantes serviços que
prestou a cidade.
- Municipal: Este nome
durou somente seis meses, retomando ao seu nome anterior. Além dessas
denominações oficiais também era popularmente conhecida por “Da
Municipalidade”, por estar defronte do prédio da Independência Municipal.
A praça sofreu uma série
de reformas ao longo do tempo. As mais significativas foram a construção do
jardim 7 de setembro em 1902, época em que existiam na praça cinco quiosques
denominados: escritório dos Bondes, Café do Comércio, Café Iracema, Café
elegante e Café Java, sendo este o último o mais antigo (1886) e que se
constituía o principal ponto da reunião dos intelectuais da Padaria Espiritual.
Em 1914 se reforma a
praça e se realiza a iluminação com cabos subterrâneos.
Em 1920 são demolidos
os quiosques e é construído o célebre coreto, considerado na época o coração
cívico da cidade.
Em 1932, se demole o
coreto e se constrói no seu lugar a “Coluna da Hora” com seu relógio que servia
de orientação a toda a cidade, sua inauguração foi a princípios de 1934.
Em 1949, no local onde
fora o velho prédio da intendência Municipal e construiu o “Abrigo Central”.
Situava-se ao norte da praça e nele existiam boxes de vendas de discos, selos,
livrarias, bilhetes lotéricos, tabacarias, cafés, etc. Servia também de ponto
inicial das linhas de ônibus, transformando-o em um lugar dos mais movimentados
da cidade. Foi demolido em 1968 e também a coluna da hora. Na última reforma em
1991 recuperou a praça e a coluna da hora em versão de uma arquitetura moderna,
a coluna da hora que também apelidada pelo cronista Caiu Sítio de calúnia da
hora já que nem sempre dava a hora exata.
“Memória é algo muito
forte e encrava em nossos corações como uma cicatriz, as vezes doída e outras
vezes somente para lembrar que existe”.
Melo.
Lembro do tempo que
criei essa memória afetiva da praça do Ferreira, quando criança eu, minha mãe e
meu irmão vivíamos indo nessa praça, muitas vezes esperando meu pai sair do
trabalho e outras vezes quando íamos na “rua” como diz minha mãe, comprar
roupas ou as vezes brinquedos, gibis ou livros, lembro-me que era um tempo
muito feliz. Todos os natais íamos na praça ver as crianças cantarem, e no alto
do edifício Excelsior víamos o papai Noel, surgindo em uma janela ou outra de
uma criança que ali cantava, como essa praça para mim é importante, toda sua
arquitetura de gabarito e seus prédios antigos trazem em mim uma sensação única
como se eu fosse abraçado pelo passado. Algumas vezes eu e meu amado irmão
caçula íamos muitas vezes tomar café da manhã na padaria Duda´s que ficava onde
hoje é padaria Romana, viver o local me traz lembranças maravilhosa de um
passado que está fixado nas construções antigas dessa praça, mas não só a minha
como a de muitas pessoas acredito eu. Como futuro arquiteto acredito que a
preservação de um passado não está só em um passado muito antigo, mais também
nas memórias recentes que criamos e vivemos nesses espaços.
Referencias:
Livro: Fortaleza Centro: Guia
Arquitetônico./ José Capelo Filho e Lidia Samiento Garcia – Fortaleza. 2006.
Livro: Silva Filho, Antônio Luiz
Macêdo e. Fortaleza: imagens da Cidade. 2. Ed. Fortaleza Museu do Ceará/
Secretaria da Cultura do estado do Ceará, 2004.